Status Quo


Por José Alessandro (convidado)

Acabo de sair de uma reunião com uma mãe do Colégio, mãe de dois alunos, Educação Infantil e Ensino Fundamental I. Procurou a secretaria dos cursos extraclasse para perguntar se seu filho poderia continuar a praticar karatê e vôlei mesmo não sendo mais aluno.

Atenta ao que estava por trás dessa pergunta, a secretária indagou sobre o fato da família estar pensando em retirar o aluno do Colégio. Não deu outra. A mãe, que chamaremos aqui de Magda, já estava levando o filho para conhecer e fazer testes de admissão em outras escolas. Qual motivo? É a primeira coisa que nós, gestores educacionais, queremos saber. Qual motivo fez Dona Magda procurar outra escola para Pedrinho? Veja bem. Dona Magda alegou: “Estudei minha vida inteira aqui, amo essa escola e o Pedro também. Meu marido não tem esse vínculo afetivo, é economista, metódico, pensa nos resultados, e não aceita o Colégio não ser um dos primeiros no ranking do Enem. Aqui estou em casa, confio muito nessa escola e Pedro também sente isso. Ele não quer trocar de escola, está chateado com essa hipótese. Levei-o para fazer teste de admissão em dois colégios, ambos concorrentes diretos do atual. Um mais distante, mas muito lindo e bem conceituado na cidade, um dos melhores. Outro, mais próximo de casa e do atual, não tão bonito mas igualmente bem conceituado na cidade e muito exigente pedagogicamente. Questionei ele, por curiosidade apenas, caso passasse no exame de admissão dos dois Colégios, qual escolheria. O segundo, respondeu categoricamente. Questionei-o novamente, afinal, o primeiro é muito maior, mais bonito, é o melhor da cidade, está no topo do ranking do Enem, é uma escola acolhedora. Diferente do segundo, um colégio frio e muito difícil mas com ótimos resultados também. Ele novamente foi direto: ‘prefiro o segundo pois é perto do atual, sei que terei que estudar mais, que será mais difícil, que é muito puxado, mas estarei perto do colégio atual e poderei passar na frente, ver meus colegas e continuar fazendo meus esportes aqui’.”

Apesar dos pais escolherem mudar de escola, o filho ainda busca uma alternativa para não o fazer totalmente. Dona Magda alega que não tem do que reclamar. Pedrinho tem notas ótimas, adora as professoras, os colegas e ela igualmente ama o colégio mas, atenção a este trecho, relata a mãe: “ao comentar com pessoas do meu meio social, elas fazem ‘cara feia’, cara de desdém quando sabem que meu filho estuda nesse colégio. Estou satisfeita, mas as pessoas não acham que esse colégio esteja no topo.”

O problema, nesse caso e em tantos outros que não temos acesso, é a imagem, é o que os outros falam. A mãe é categórica: “pago pela qualidade do serviço educacional. Mas não é só isso, pago também pelo status, pela imagem pois o que os outros falam é importante”. O problema são os outros. Já diria Jean-Paul Sartre, o inferno são os outros.

Vivemos na era da imagem, num momento em que o outro justifica com tal ênfase o meu ser, o meu fazer, que preciso ser popular, preciso usar etiquetas e rótulos que me justifiquem, preciso ter mil amigos no orkut, ter 100mil seguidores no Twitter, ter 500mil espectadores no Youtube, todos bradando em alto e bom tom que sou bom, que faço parte. Justifico minha existência na popularidade.

Qual nível de status, qual qualidade de imagem as escolas tem que atingir? Triste será se tivermos que gerar “aparências”, tal qual uma griffe, para surtir nos alunos, pais e mães o mesmo orgulho-oco que a sociedade atual insiste em impor como valor. Sempre é momento de pensar o caminho a seguir.

José Alessandro
www.josealessandro.com.br

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