Crítica: Bravura Indômita (2010)


“You must pay for everything in this world, one way and another. There is nothing free except the grace of God”.

Baseado no romance de Charles Portis, os irmãos Coen reescrevem e dirigem aqui um clássico do Faroeste, adicionando elementos marcantes de sua filmografia invejada. Indicado em dez categorias do Oscar 2011, infelizmente não foi o vencedor de nenhuma. O filme conta a história de Mattie Ross (interpretada por Hailee Steinfeld – até então desconhecida), em busca do assassino de seu pai. Para ajudá-la, contrata Rooster Cogburn (um federal interpretado por Jeff Bridges) e conta também com LaBoeuf (Matt Damon), um Texas Ranger em busca do foragido.

A ágil fotografia ficou a cargo do veterano Roger Deakins e é um espetáculo a parte.  Roger já acompanha os irmãos Coen ha algum tempo (Fargo e Onde os Fracos não tem Vez), e aqui nos mostra um velho oeste dos anos 60 utilizando uma grande profundidade de campo em cenas externas aumentando ainda mais a experiência cinematográfica. Já o figurino de Mary Zophres, nos mostra Mattie sempre com roupas escuras, nos remetendo a um luto ainda insuperável pela morte de seu pai. Não poderia deixar de falar da fabulosa trilha sonora composta por Carter Burwel, também antigo parceiro dos irmãos Coen, que nos embalando durante todo o filme, nos levando a um velho oeste clássico e imponente, até chegar a belíssima canção final Leaning on The Everlasting Arms, cantada por Iris Dement.

Com grandes nomes no elenco, só poderíamos esperar grandes atuações. Jeff Bridges, um alcoólatra fumante em busca de um novo propósito em sua vida, rouba a cena de Matt Damon. Ambos os “heróis” nos são apresentados por feichos de luz, seja durante um interrogatório onde a luz entra através das janelas por de traz de Bridges ou acendendo um charuto com Damon. E esse mesmo feicho de luz que o filme chega ao seu clímax, quando Mattie é resgatada após a famosa cena com a cobra dentro de um buraco no deserto, onde a única luminosidade que entra é através da saída do mesmo, simbolizando a esperança de salvamento.

Eu não assisti ao filme original, então não posso fazer comparações. Bravura Indômita pode ser a retomada do faroeste nos cinema atual, ou não, mas o importante é que cumpre aquilo que promete e faz um bela homenagem ao gênero.

Bravura Indômita: *****
True Gift (2010). Direção: Ethan Coen e Joel Coen. Elenco: Jeff Bridges, Matt Damon e Hailee Steinfeld. 

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