Crítica: A Suprema Felicidade (2010)


“As coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.”

Foi impressão minha ou a Suprema Felicidade é encontrada em um mundo totalmente machista? O novo filme de Arnaldo Jabor conta a história de Paulo, desde os seus dez até os dezoitos anos de idade, conhecendo o amor, descobrindo o sexo e a amizade na década de 50 e 60.

O filme começa em um ritmo alucinante, predominantemente em tons vermelhos, trabalho excepcional da Fotografia de Lauro Escorel, nos mostrando o final da segunda guerra mundial, e logo depois as crises de uma família de classe média onde o pai, Marcos (Dan Stulbach), extremamente machista, priva sua amada de seus sonhos. Paulo, seu filho cresce observando as brigas constantes do pai com a mãe, e com o sentimento de vergonha ou culpa por não poder fazer nada em cada situação, acaba saindo da sala ou se escondendo em algum canto.

O que mais intriga é que em nenhum momento os conflitos familiares são resolvidos, o diretor simplesmente esquece de diversos fatos levantados durante o longo, como por exemplo a homossexualidade do melhor amigo de Paulo.

Graças a competência de seus atores, o filme não é completamente perdido. Marco Nanini, interpreta o avô de Paulo, e brilha a cada minuto em cena, seja com suas palavras de sabedoria, ou seu olhar singelo sob seu neto. Dan Stulbach extremamente teatral (evidentemente proposital), atinge o grau máximo do machismo, quando compara a vida de um casal a uma orquídea, onde o caule seria o homem e a mulher a flor. Sem o caule, a mulher murcha, ou seja, não seria nada sem os homens.

Um ponto extra para a Direção de Arte de Tulé Peak, nos remetendo a um Rio de Janeiro de outrora com peças fortes e cenários capazes de transpor o sentimento de seus personagens.

Arnaldo Jabor tentou, mas não conseguiu realizar uma obra que tinha tudo para ser clássica, talvez por culpa do roteiro, que também não possui uma grande história, apenas uma excelente idéia.

A Suprema Felicidade: 2estrela
A Suprema Felicidade (2010). Direção: Arnaldo Jabor. Elenco: Marco Nanini, Jayme Matarazzo e Dan Stulbach.

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