Crítica: Divergente

“I don’t want to be just one thing. I can’t be. I want to be brave, and I want to be selfless, intelligent, and honest and kind. Well, I’m still working on kind.”

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Divergente pega carona com o sucesso de “Jogos Vorazes” (comparação inevitável) para entregar uma trama repleta de referências a adolescência (como a escolha do “que quer ser quando crescer”, por exemplo). Embora tenha boas cenas de ação e um clímax interessante, Shailene Woodley não conseguiu me convencer como Jennifer Lawrence, em Jogos Vorazes.

A história me pareceu bastante interessante (gosto do tema de possíveis futuros), mas sua evolução na trama é clara no roteiro, e Shailene continua com a mesma carinha “careta” durante toda a projeção. Mas o filme não é de todo ruim, não me entendam mal. Gostei. Mas a história de uma mocinha querendo salvar o novo mundo, já foi muito bem filmada anteriormente, e aqui o conceito apenas se repete, com novos personagens e dilemas pessoais.

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Divergent (2014). Direção: Neil Burger. Elenco: Shailene WoodleyTheo JamesKate Winslet.

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Crítica: O Lado Bom da Vida

“The only way to beat my crazy was by doing something even crazier. Thank you.”

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O título me ganhou de cara, e como fiquei sabendo que o filme só estrearia no Brasil em Fevereiro preferi ler o livro antes (no mês passado) e fiquei encantado com a história. Uma leitura rápida e objetiva que conta a história de Pat lidando com a dúvida de por que seu relacionamento acabou. No filme, Bradley Cooper da vida ao personagem inspirado no livro, de uma forma tão impressionante e real, que me arrisco a dizer: melhor papel de sua carreira.

Gostei muito das diversas alterações propostas pelo roteirista e diretor David O. Russell (O Lutador e Três Reis), ele simplesmente muda características e personalidades chaves de alguns personagens, mas que nada altera o resultado final do filme (que não se propõe em ser uma cópia do livro).

A história é simples e humilde. Quando Pat descobre a traição de sua ex mulher, é internado em uma clínica para tratar sua agressividade e bipolaridade. Sua mãe (a ótima Jacki Weaver) o retira da clínica após 8 meses, alegando que seu filho pode continuar o tratamento em casa e continuar sua análise com o Dr. Cliff (Anupam Kher – uma surpresa agradável, diga-se de passagem). Seu amigo Ronnie (John Ortiz) o apresenta a Tiffany (Jennifer Lawrence), irmã de sua esposa que também sofre de problemas psiquiátricos, mas que irá ajudá-lo a suprir a saudade de sua ex-mulher, por quem ainda é apaixonado.

Fazia muito tempo que eu não saia do cinema, com aquele sorriso no rosto e sensação de: “assisti a um filme muito bacana”. Fiquei muito feliz com suas 8 indicações ao Oscar, principalmente para a de Direção e Edição. A edição é tão ágil e frenética que ela se encaixa na narrativa com uma leveza que poucos editores conseguem fazer e a câmera na mão, faz toda a diferença na hora de mostrar as agonias dos personagens.

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Robert De Niro esta impecável como o patriarca da família, ao mesmo tempo rabugento e descontrolado é capaz de transmitir amor mesmo tendo seu filho como uma aposta em um concurso de dança. Fazia muito tempo que eu não o via tão a vontade em um papel. E o que dizer de Chris Tucker (o comediante chato de A Hora do Rush), aqui interpreta um colega de clínica de Pat e consegue mostrar que é um bom ator.

Às vezes engraçados, outras dramático na medida e com uma pitada de romance, O Lado Bom da Vida consegue superar a literatura, nos brindando com uma história bonita e bem contada, daqueles que você irá lembrar com carinho daqui alguns anos.

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Silver Linings Playbook (2012). Direção: David. O. Russell . Elenco: Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Jacki Weaver e Chris Tucker. 

Crítica: Sete Psicopatas e um Shih Tzu

“An eye for an eye leaves the whole world blind.”

ImagemAssistir Sete Psicopatas e um Shih Tzu foi incrivelmente surpreendente. Eu já havia gostado do trailer do filme, embora este não mostre muito do mesmo, mas mesmo assim, me deixou um tanto quanto curioso.

Resumindo: Marty (interpretado por um Colin Farrell bastante entusiasmado) é um escritor pouco experiente que não encontra inspiração para seu novo roteiro, chamado “Sete Psicopatas”. Seu melhor amigo é Billy (interpretado por Sam Rockwell), um ator desempregado e ladrão de cachorros que quer ajudá-lo. As ideias inusitadas de Billy colocam Marty na mira do gângster temperamental, Charlie (Woody Harrelson), que não pensaria duas vezes antes de matar qualquer pessoa que pusesse as mãos em seu cachorro.

O diretor e roteiro ficou a cargo de Martin McDonagh (Na Mira do Chefe), que mais uma vez apresenta uma estrutura narrativa inteligente, mas não muito bem encaixada (como em seu primeiro filme), diálogos rápidos em uma história construída em cima da metalinguagem do filme dentro do filme. 

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Confesso que nunca fui muito fã de Christopher Walken, mas aqui ele esta impagável como o ladrão de cachorros ao lado de Billy, e seu papel esta repleto de grandes referências sutis e não sutis ao cinema de Gangster e Terror. É com ele uma das melhores cenas do filme, quando simplesmente se recusa a levantar as mãos para um outro ladrão armado, simplesmente porque não quer.

Todos os atores foram muito bem dirigidos por McDonagh, que mostra firmeza na sua direção (este é apenas o seu segundo filme) ao mesmo tempo que deixa os atores se divertirem em cena. Vale lembrar também que Colin Farrell retorna a parceria com o diretor (Na Mira do Chefe também é protagonizado por Farrell). Woody Harrelson interpreta aqui o maior psicopata/assassino da trama, cujo cachorro foi roubado por Billy, e que faz de tudo para recuperá-lo – sem medir esforços.

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O único ponto negativo que vejo é realmente a sua edição, que embora seja amarrada por um roteiro afiado, por vezes torna-se confuso ao ponto de não sabermos o que realmente os personagens buscam e um clímax morno, comparado ao filme como um todo. Mas em nada atrapalha a diversão e boas risadas desta comédia despretensiosa que deverá agradar a um público sedento de comédias inteligentes.

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Seven Psychopaths (2012). Direção: Martin McDonagh . Elenco: Colin Farrell, Sam Rockwell, Michael Stuhlbarg, Michael Pitt, Christopher Walken e Woody Harrelson.

Crítica: A Suprema Felicidade (2010)

“As coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.”

Foi impressão minha ou a Suprema Felicidade é encontrada em um mundo totalmente machista? O novo filme de Arnaldo Jabor conta a história de Paulo, desde os seus dez até os dezoitos anos de idade, conhecendo o amor, descobrindo o sexo e a amizade na década de 50 e 60.

O filme começa em um ritmo alucinante, predominantemente em tons vermelhos, trabalho excepcional da Fotografia de Lauro Escorel, nos mostrando o final da segunda guerra mundial, e logo depois as crises de uma família de classe média onde o pai, Marcos (Dan Stulbach), extremamente machista, priva sua amada de seus sonhos. Paulo, seu filho cresce observando as brigas constantes do pai com a mãe, e com o sentimento de vergonha ou culpa por não poder fazer nada em cada situação, acaba saindo da sala ou se escondendo em algum canto.

O que mais intriga é que em nenhum momento os conflitos familiares são resolvidos, o diretor simplesmente esquece de diversos fatos levantados durante o longo, como por exemplo a homossexualidade do melhor amigo de Paulo.

Graças a competência de seus atores, o filme não é completamente perdido. Marco Nanini, interpreta o avô de Paulo, e brilha a cada minuto em cena, seja com suas palavras de sabedoria, ou seu olhar singelo sob seu neto. Dan Stulbach extremamente teatral (evidentemente proposital), atinge o grau máximo do machismo, quando compara a vida de um casal a uma orquídea, onde o caule seria o homem e a mulher a flor. Sem o caule, a mulher murcha, ou seja, não seria nada sem os homens.

Um ponto extra para a Direção de Arte de Tulé Peak, nos remetendo a um Rio de Janeiro de outrora com peças fortes e cenários capazes de transpor o sentimento de seus personagens.

Arnaldo Jabor tentou, mas não conseguiu realizar uma obra que tinha tudo para ser clássica, talvez por culpa do roteiro, que também não possui uma grande história, apenas uma excelente idéia.

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A Suprema Felicidade (2010). Direção: Arnaldo Jabor. Elenco: Marco Nanini, Jayme Matarazzo e Dan Stulbach.

Crítica: Bravura Indômita (2010)

“You must pay for everything in this world, one way and another. There is nothing free except the grace of God”.

Baseado no romance de Charles Portis, os irmãos Coen reescrevem e dirigem aqui um clássico do Faroeste, adicionando elementos marcantes de sua filmografia invejada. Indicado em dez categorias do Oscar 2011, infelizmente não foi o vencedor de nenhuma. O filme conta a história de Mattie Ross (interpretada por Hailee Steinfeld – até então desconhecida), em busca do assassino de seu pai. Para ajudá-la, contrata Rooster Cogburn (um federal interpretado por Jeff Bridges) e conta também com LaBoeuf (Matt Damon), um Texas Ranger em busca do foragido.

A ágil fotografia ficou a cargo do veterano Roger Deakins e é um espetáculo a parte.  Roger já acompanha os irmãos Coen ha algum tempo (Fargo e Onde os Fracos não tem Vez), e aqui nos mostra um velho oeste dos anos 60 utilizando uma grande profundidade de campo em cenas externas aumentando ainda mais a experiência cinematográfica. Já o figurino de Mary Zophres, nos mostra Mattie sempre com roupas escuras, nos remetendo a um luto ainda insuperável pela morte de seu pai. Não poderia deixar de falar da fabulosa trilha sonora composta por Carter Burwel, também antigo parceiro dos irmãos Coen, que nos embalando durante todo o filme, nos levando a um velho oeste clássico e imponente, até chegar a belíssima canção final Leaning on The Everlasting Arms, cantada por Iris Dement.

Com grandes nomes no elenco, só poderíamos esperar grandes atuações. Jeff Bridges, um alcoólatra fumante em busca de um novo propósito em sua vida, rouba a cena de Matt Damon. Ambos os “heróis” nos são apresentados por feichos de luz, seja durante um interrogatório onde a luz entra através das janelas por de traz de Bridges ou acendendo um charuto com Damon. E esse mesmo feicho de luz que o filme chega ao seu clímax, quando Mattie é resgatada após a famosa cena com a cobra dentro de um buraco no deserto, onde a única luminosidade que entra é através da saída do mesmo, simbolizando a esperança de salvamento.

Eu não assisti ao filme original, então não posso fazer comparações. Bravura Indômita pode ser a retomada do faroeste nos cinema atual, ou não, mas o importante é que cumpre aquilo que promete e faz um bela homenagem ao gênero.

Bravura Indômita: *****
True Gift (2010). Direção: Ethan Coen e Joel Coen. Elenco: Jeff Bridges, Matt Damon e Hailee Steinfeld. 

Crítica: Jogos Vorazes

“I volunteer! I volunteer as a tribute!”

Mais uma febre literária ganha uma versão cinematográfica. Estou falando de Jogos Vorazes, o primeiro de três livros escritos por Suzanne Collins, que também assina o roteiro do filme ao lado do diretor Gary Ross (Quero Ser Grande e A Vida em Preto e Branco).

Em um futuro, o Capitol seleciona um jovem e uma jovem de cada um dos doze distritos para lutarem entre si até a morte em um programa de televisão ao vivo. Katniss Everdeen (interpretada por Jennifer Lawrence) se torna voluntária ao pegar o lugar de sua irmã durante o sorteio da colheita.

Com uma direção de arte bastante interessante e um figurino e maquiagem um tanto quanto brega (mas no bom sentido), o filme consegue superar as suas falhas na direção e roteiro, nos entregando uma boa e surpreendente diversão. Faz o espectador pensar em como ele próprio se comportaria em situações extremas. A primeira e mais automática comparação seria com o programa Big Brother e outros Reality Shows do mesmo gênero, onde competidores, em busca de um prêmio (no caso do filme a própria vida), usam todas suas habilidades para conseguir vencer o Jogo.

O futuro descrito, mostra um distrito doze pobre e idêntico a sociedade medieval, as pessoas não tem um grande acesso a tecnologia como disposta em outros por exemplo, e são obrigadas a caçar para sobreviver. Já a selva (campo de arena) seria como nossa sociedade atual, um lugar onde apenas os mais fortes e habilidosos sobrevivem, onde a moral ética fica de lado dando espaço para o bem estar individual.

O amor é bravamente exaltado em dois momentos: entre o casal de jogadores do distrito doze e o fato de Katniss tomar o lugar de Prim, como voluntária, poupando a vida de sua irmã mais nova. Um amor que a sociedade consumista imediatista, superficial não entende direito, mas admira e que em determinado momento pode ser questionado e servir como combustível para a vitória. Mas finalmente, pelo menos, nesse filme o amor ainda reina, inspira, supera e é a força mais poderosa.

Jogos Vorazes: ****
The Hunger Games (2012). Direção: Gary Ross. Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Wes Bentley e Stanley Tucci.

Crítica: A Invenção de Hugo Cabret

“If you’re ever wondered where your dreams come from, you look around… this is where they’re made.”

Consegui assistir A Invenção de Hugo Cabret somente hoje, primeiro porque em Porto Alegre existem poucas sessões do filme legendado, sendo em sua maioria dublado e segundo porque fazia questão de assistí-lo em 3D. No final das contas, sai do cinema com um sorrisão no rosto. Grata surpresa o diretor Martin Scorsese estava reservando pra mim, o filme é lindo. Teve 11 indicações ao Oscar (filme, direção, roteiro e técnicos), no Globo de Ouro foram 3 indicações – ganhando de Melhor Diretor.

Conta a história de Hugo (interpretado por Asa Butterfield – o mesmo ator de O Menino de Pijama Listrado), que após a morte de seu pai (Jude Law – em aparições rápidas), divide o seu tempo cuidando dos relógios de uma estação de trem em Paris e buscando peças para consertar um robô, que acredita obter as respostas de suas grandes dúvidas. No meio de tudo isso, ele tem driblar o inspetor da estação (Sacha Baron Cohen – sim, ele mesmo! O famoso Borat – aqui em um papel que mostra o quão versátil ele poder ser frente as câmeras) e para a aventura ficar completa, conta com a ajuda de Isabelle (Chloë Grace Moretz). Mas se você pensa que o filme é só uma aventura infantil, esta enganado, é também uma verdadeira aula de história, uma aula de cinema, pois Ben Kingsley interpreta um dos primeiros cineastas da história, Georges Méilès – prefiro não me entrar em detalhes sobre seu personagem.

Com atuações secundárias, mas que ajudam a compor a energia da estação de trem, temos a engraçadinha Madame Emilie, dona da confeitaria (interpretada brilhantemente por Frances de la Tour) em voltas com seu “par romântico” Monsieur Flick (Richard Friffiths), a Lisette, dona da banca de flores (interpretada por Emily Mortimer), Monsieur Labisse, o bibliotecário (Christopher Lee), entre outros.

Martin Scorsese acerta em cheio na direção de seu primeiro filme dedicado a uma aventura infanto-juvenil, porém, para todas as idades. A utilização do 3D impressiona na mesma magnitude que Avatar impressionou em 2009 (vejam só, tivemos um intervalo de 3 anos entre um filme e outro), as cenas possuem uma profundidade incrível e que compõem sutilmente a fotografia do filme – que é um show a parte.

O roteiro, por vezes previsível, é muito bonito e que muitas vezes, me fez sorrir durante o filme e sair da sessão de cinema em um estado de felicidade – estado esse que poucos filmes são capazes de me deixar. A Invenção de Hugo Cabret é um filme que ficará na memória por muito tempo e que o desejo de revê-lo, já se faz presente.

A Invenção de Hugo Cabret: *****
Hugo (2011). Direção: Martin Scorsese. Elenco: Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ben Kingsley, Christopher Lee, Sacha Baron Cohen, Emily Mortimer, Helen McCrory e Lude Law.

Crítica: 50%

“No, seriously… you need to get the fuck off my porch.”

O filme 50% chega no Brasil diretamente em DVD e Bluray, poucos meses depois de sua estréia nos Estados Unidos – mais precisamente 30/Setembro de 2011.

O filme conta a história de Adam (interpretado por Joseh Gordon-Levitt, que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator por esse filme), e como sua vida se transforma depois de descobrir que possui um tipo raro de câncer. Kyle (interpretado por Seth Rogen – aqui provavelmente eu seu melhor papel no cinema) é seu melhor amigo, maluco o suficiente para ajudar Adam, ao mesmo tempo que utiliza da doença do amigo para conquistar mais uma noitada.

O filme teria tudo para ser um melodrama para fazer chorar, mas com uma história original, escrita por Will Reiser (seu primeiro roteiro para o cinema), desponta dos demais como uma grande sinfonia à vida: “porque tudo tem um lado positivo”.

Atuações paralelas, também merecem destaques. Angelica Huston interpreta a mãe de Adam e que é responsável por grandes cenas, como quando releva a seu filho que faz parte de um grupo de ajuda de mães cujos filhos possuem câncer – um dos momentos mais marcantes do filme, na minha opinião – ou quando simplesmente discute com uma enfermeira a temperatura da sala do médico, porque o seu filho esta doente – onde na verdade seria ela que estava com frio. Anna Kendrick é Katherine, uma terapeuta em início de carreira lidando com os dilemas do primeiro emprego na área (uma interpretação muito parecida com a que fez em Amor Sem Escalas).

Um excelente filme, que teve duas indicações ao Globo de Ouro (incluindo Melhor Filme Musical/Comédia – mesmo sendo um drama) e merece ser visto – de coração aberto.

50%: *****
50/50 (2011). Direção: Jonathan Levine. Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Seth Rogen and Anna Kendrick