Os Homens que Não Amavam as Mulheres: 1 Livro e 2 Filmes

A Trilogia Millennium esta dominando o mundo, tendo os livros traduzidos para dezenas de idiomas. Composto por três volumes escrito pelo sueco Stieg Larsson, o primeiro livro ganhou uma segunda versão para o cinema, nas mãos de David Fincher (A Rede Social e O Clube da Luta) recentemente – inclusive com algumas indicações para o Oscar.

“O tema da violência sexual contra as mulheres nos seus livros deve-se ao fato de que Larsson, enojado, testemunhou o estupro coletivo de uma jovem quando ele tinha 15 anos. O autor nunca se perdoou por não ajudar a garota, cujo nome era Lisbeth – como a jovem heroína de seus livros, e resolveu dedicá-los a ela.” Wikipedia.

O Livro: Apesar de um ritmo bastante lento, o livro é capaz de prender o leitor até o final, porém confesso que não irá ganhar minha atenção nos dois próximos volumes. Além de focar demasiadamente em personagens que não agregam na história final, o autor resgata o passado, praticamente de todos, para explicar o porque que nos dias atuais eles se comportam dessa maneira. Eu particularmente gostei muito do livro, mas saber que vou passar por todo um dilema psicológico dos personagens novamente no segundo e terceiro volume da série, não vai ser pra mim – prefiro esperar os filmes.

Os filmes: Se você gostou do livro, vale a pena conferir as duas versões. Primeiro, porque cada diretor apresenta o filme de maneiras diferentes. Alguns cortes do livro, como o romance de Blomkvist com uma integrante da família Vanger, é comum em ambas as produções, mas Fincher nos apresenta cenas muito mais fortes do que a produção dirigida por Niels Arden Oplev. A versão americana teve muito mais ousadia que a sueca, mas até é compreensivo, já que o próprio livro é tão chocante quanto o filme.

O segundo e terceiro livros já foram adaptados para o cinema na Suécia, e inclusive serão exibidos pelo canal de Tv por Assinatura MAX (da rede HBO) em março: A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar. Quanto as duas próximas versões americanas, nada ainda foi declarado.

Curiosidade: Dessa vez, não foi o Brasil que trocou os títulos da produção. Se traduzirmos o título original suéco para o português do primeiro volume, teremos Os Homens que Não Amavam as Mulheres, já os Estados Unidos resolveu mudar para A Garota com a Tatuagem de Dragão – na tradução literal.

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Final de Semana 2012 #1

Eu acabo assistindo à muitos filmes/séries/documentários nos finais de semana, mas acabo não tendo tempo suficiente de escrever tudo o que gostaria sobre eles, sendo assim, vou fazer breves resumos – do que realmente interessa.

Meu final de semana começou com Os Homens que não Amavam as Mulheres e já publiquei minha crítica por aqui. Na verdade acabei de ler o livro no sábado pela manhã mesmo e logo depois fui ao cinema. Um fato inusitado aconteceu durante o filme, um casal de senhores estavam sentados a minha frente e logo pensei – poxa, que bacana, eles devem ser fãs do livro e vieram conferir a versão para o cinema – mero engano. Primeiro a senhora começou a reclamar do som (que julgava alto demais) e depois de uns 30 minutos perguntou ao marido: – “mas não era uma comédia romântica?” Pois é, o título desse suspense, pode vir a gerar dupla interpretação quanto ao seu gênero, mas nada como ler uma sinopse ou perguntar na Bilheteria do que se trata o filme, não?

Ainda no sábado assisti a mais dois filmes – mas em casa: 50% e Rango. Rango na verdade é uma faroeste cômico animado  (ufa!), dirigito por Gore Verbinski (Piratas do Caribe), que me surpreendeu em cheio – no bom sentido. Primeiro pela sua perfeição, não deixando nada a desejar para as animações da Pixar e em segundo pela sua grande homenagem a grandes clássicos do cinema, como por exemplo: Apocalipse Now. O roteiro impecável de John Logan (Gladiador e O Último Samurai) conta a história de um extraordinário camaleão que acaba acidentalmente no meio do deserto e acaba se tornando Xerife da cidade, devido suas mentiras arquitetônicas, criando uma série de confusões embaladas ao som de uma banda formada por quatro corujas (impagáveis).  Rango: *****

No Domingo, foi dia de assistir ao clássico de Spielberg Contatos Imediatos do Terceiro Grau. Estava mais do que na hora de assistí-lo, e acabei alugando a edição especial de 30 anos em Bluray. Assisti diretamente a versão do Diretor, em torno de 3 minutos a mais da versão original do cinema. Como me arrependo de não ter conferido o filme anos atrás, é impressionante como Steven Spielberg estava a frente de sua geração, ao criar essa ficção científica em 1977. Ele encabeçou essa produção, logo após Tubarão – tido como o primeiro blockbuster mundial. A história é simples: extraterrestres querendo fazer seu primeiro contato com o planeta terra. O que realmente choca aqui é a utilização de efeitos especiais que foram uma revolução para a época em que o filme foi lançado. Muito bacana! Contatos Imediatos do Terceiro Grau: ****

E claro que coloquei algumas séries em dia também. Assisti ao tão comentado primeiro episódio da nova série de J.J. Abrams, Alcatraz. Realmente a série promete muito, mas acho que depois de Lost, se os produtores acreditam que seguraram um mistério por muito tempo, acho que irão se deparar com uma decepção, pois os fãs estão um pouco saturados de ficar esperando por muito tempo uma resposta. Mas no geral, achei um ritmo bastante lento para uma estréia e Jorge Garcia (o eterno Hurley de Lost) parece meio incomodado com seu papel – espero que melhore. O mais bacana foi reconhecer alguns locais da prisão, que estive ha alguns meses atrás visitando. Um grande mérito da Warner (canal de tv por assinatura) é transmitir a série, com uma pequena diferença de uma semana e meia da exibição nos Estados Unidos. Resumindo a história: os presos não foram transferidos quando a prisão fechou, eles simplesmente sumiram, reaparecendo nos dias de hoje – sem envelhecer sequer um ano.

Enfim terminei de assistir a primeira temporada de Terra Nova (a segunda ainda não foi confirmada pela FOX) – faltavam três episódios. Após um início muito bem realizado, a série caiu numa vala comum impressionante, o roteiro simplesmente não andava e não apresentava nada de novo por bons episódios, apenas novos personagens que não faziam sentido algum estar por ali, mas foi no penúltimo que eu me lembrei porque acompanhava a série. A série não é boa, mas ela me intriga por ser ambientada em uma época que me fascina desde Jurassic Park. Pelo menos, se não tiver uma segunda temporada, fiquei satisfeito com o desfecho da história.

Por fim, The Middle, The  Big Bang Theory e Friends para encerrar o final de semana!

Crítica: Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres

“It was then that I noticed Harriet wasn’t there. And she wasn’t there the next morning, or the next, or the next 40 years.”

Terminei de ler o livro hoje pela manhã e fui correndo para a primeira sessão do filme aqui em Porto Alegre. Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres já me tirava o sono a algumas noites, com um mistério quase insolúvel. O ritmo lento do livro, abre espaço aqui para um diretor competente (David Fincher), transportando para a tela grande o excelente roteiro escrito por Steven Zaillian (o mesmo de A Lista de Schindler e Gangues de Nova York).

Após ser alvo de uma armadilha, o diretor-chefe da Revista Millennium, Mikael (Daniel Craig) é obrigado a se retirar por um tempo, sendo então convidado a trabalhar para a família Vanger, com o objetivo de escrever uma biografia de Henrik (interpretado por Christopher Plummer – bastante convincente no papel), mas que na verdade era para descobrir o sumiço de sua sobrinha Harriet, cujo assassinato continua envolto a um mistério há quarenta anos. Conta com a ajuda da hacker problemática Lisbeth (interpretada por Rooney Mara – indicada ao Oscar de Melhor Atriz pela sua atuação nesse filme), que com suas habilidades tecnológicas, descobrirá que na verdade, estão a procura de um assassino em série.

Obviamente é impossível transpor todas as idéias de um livre, para dentro de um filme, mas considero os diversos cortes na história, bastante aceitáveis para o bom desenrolar da história. E não só isso, Fincher ainda presenteia os fãs da trilogia (sim, é uma trilogia) com um desfecho, um pouco diferente do que seria o esperado. Na verdade o ritmo lento do livro, trata-se justamente na exposição de cada personagem (suas aflições, seus porques, suas histórias – que no filme, isso não possui espaço), deixando aqui um suspense mais intrigante e com velocidade – do início ao fim.

E se falarmos em aspectos técnicos, o filme ganha louvores. Primeiro pela excelente fotografia – indicada ao Oscar – de Cronenweth (Clube da Luta/A Rede Social), que nos mostra duas Suécias – a do inverno dos tempos atuais e a da primavera dos flashbacks. A edição ágil também foi reconhecida com a indicação ao Oscar de Melhor Montagem, além de melhor som.

Essa é a segunda versão para o cinema, do livro original de Stieg Larsson, a primeira foi uma produção mais “contida” sueca. A versão de Fincher é por vezes mais ousada, ao mostrar por exemplo, uma das cenas de estupra mais perturbadores que já assisti, mas deixa de fora algumas outras como os abusos pedófilos, de um dos integrantes da família Vanger.

Uma excelente adaptação para o cinema de um dos melhores Best-Seller policiais que já li.

Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres: *****
The Girl with the Dragon Tattoo (2011). Direção: David Fincher. Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara e Christopher Plummer.